vacina

No fim de março, o webinário “Estratégias para vacinar todos e Já!”, organizado pela Academia Brasileira de Ciências, reuniu reitores, representantes de universidades, empresários e parlamentares para debater estratégias e soluções para agilizar o processo de vacinação no país.

A reitora da UFRJ, Denise Carvalho, participou do evento destacando que os caminhos para combater a pandemia incluem, além da vacinação, a testagem em massa e a necessidade de autonomia na produção dos insumos farmacêuticos para produção de vacinas. “Somente a vacina nos deixará salvos. Enquanto não estivermos todos vacinados, ninguém estará totalmente a salvo da covid-19”, afirmou.

A reitora também comentou sobre a existência de pelo menos três vacinas que estão sendo desenvolvidas por universidades brasileiras, incluindo uma da UFRJ, a S-UFRJvac, em fase de testes pré-clínicos.

Já no webinário “Genética, Vacina e covid-19”, realizado recentemente também pela Academia Brasileira de Ciências, a pesquisadora da UFRJ Leda Castilho apresentou seu projeto baseado na produção e nas aplicações da proteína spike de Sars-Cov-2. Atualmente a proteína está sendo produzida em escala piloto no Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (LECC) da Coppe/UFRJ. 

Sua produção laboratorial já possibilitou, em conjunto com o Centro de Ciências da Saúde da UFRJ, o Instituto Vital Brazil e o INCA, o desenvolvimento de um teste sorológico de alta acurácia e baixo custo, de anticorpos equinos (“soro anti-covid”) que entrarão em breve em ensaios clínicos, e de uma vacina recombinante, conforme destacado por Leda Castilho.

O teste sorológico S-UFRJ tem como objetivo aumentar a qualidade e a disponibilidade de kits de testagem no país, além de possibilitar a redução de custos. Ele está sendo desenvolvido em parceria com a FK Biotecnologia/Imunobiotech e tem como diferencial a dispensa do uso de sangue venoso, possuindo sensibilidade maior que 90% já a partir de dez dias após o início dos sintomas. 

Outro uso da proteína S recombinante é o soro anti-covid feito com anticorpos de cavalos. Uma das mais citadas descobertas científicas para tratamento da covid-19 nos últimos meses, o soro equino é produzido através da aplicação de seis doses de proteína S sob a pele dos animais, que começam então a gerar os anticorpos.

A resposta de neutralização do vírus é surpreendente: o número de anticorpos produzidos por equinos chega a ser até 150 vezes maior do que o produzido por humanos que contraíram a doença. O plasma coletado de apenas um desses animais é capaz de tratar centenas de pacientes.

Finalmente, a terceira aplicação é a vacina S-UFRJvac, que está sendo idealizada junto com o INCA. A vacina também utiliza como base a proteína S recombinante para a formação de anticorpos estilo IgG. Os resultados obtidos com testes em camundongos até agora são positivos, e evidenciam o potencial de neutralização do vírus. A vacina está caminhando para as fases de toxicologia antes de poder ser oficialmente apresentada à Anvisa. 

Assista a apresentação da professora Leda Castilho sobre o tema.

Leda Castilho

Professora Titular da UFRJ, Pesquisadora 1C do CNPq e Cientista do Nosso Estado da Faperj, Leda Castilho teve seu nome incluído na lista de pesquisadores com produção de maior impacto no mundo em 2019. Ingressou como docente do Programa de Engenharia Química da Coppe/UFRJ em 2002, onde criou e coordena o Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (LECC). Atua na área de Biotecnologia Farmacêutica, com ênfase no desenvolvimento de tecnologias de produção de ferramentas de diagnóstico, vacinas e biofármacos obtidos por meio do cultivo de células animais. É também docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica do Instituto de Química da UFRJ.

Graduada em Engenheira Química pela Escola de Química da UFRJ, mestre pelo Programa de Engenharia Química da Coppe/UFRJ e doutora em Engenharia Bioquímica pela Technical University of Braunschweig, Alemanha, Leda atuou como pesquisadora visitante na University of Bielefeld, Alemanha (2011), e no Vaccine Research Center (VRC) do National Institutes of Health (NIH), EUA (2016/2017). Até o momento orientou 18 teses de doutorado e 23 dissertações de mestrado, supervisionou 16 pós-doutorandos, publicou 65 artigos em periódicos internacionais, editou dois livros que são usados como livro texto no Brasil e no exterior, e participou como inventora em onze patentes, uma delas licenciada no exterior. Foi Membro Afiliado da Academia Brasileira de Ciências no período 2009-2013, e coordenou o Comitê Técnico Nacional de Biofármacos instituído pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pelo Ministério da Saúde no âmbito do projeto ATS (2014/2015).

Recebeu várias premiações ao longo de sua trajetória, entre elas destacam-se o Prêmio Giulio Massarani de Mérito Acadêmico na categoria Jovem, referente a 2008; o “NIH Director's Award” (EUA), como membro da equipe de resposta ao vírus zika do NIH (2017). Obteve a primeira colocação no “Latin-American Quickfire Challenge”, promovido pela J&J Innovation/JLabs, com o projeto "Expression, production and purification of zika virus proteins”(2016);  o “Young Scientist Prize”, na categoria Engenharia, da Third World Academy of Sciences - Regional Office for Latin America and the Caribbean (TWAS-ROLAC) (2008); “Carioca do Ano – categoria Cientista” pela revista Veja Rio (2008). Obteve a primeira colocação no Prêmio Santander Banespa de Ciência e Inovação na categoria Biotecnologia (2007).

 

 

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