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No final de outubro, a 16ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) promoveu uma série de eventos em todo o Brasil com o objetivo de dar visibilidade às descobertas e inovações produzidas por instituições nacionais de pesquisa. O tema deste ano foi “Bioeconomia: diversidade e riqueza para o desenvolvimento sustentável”. De acordo com o MCTIC, o tema foi escolhido pela importância do fomento a projetos voltados a estimular o desenvolvimento sustentável em diversos campos, como biotecnologia industrial, saúde e agronomia, entre outros.

Na UFRJ, a SNCT ocorreu de forma integrada à 10ª Semana de Integração Acadêmica da UFRJ (Siac), contando com mais de 80 oficinas que realizaram atividades no Ginásio Verdão da Escola de Educação Física e Desportos, além do Museu da Geodiversidade e do Hangar Náutico (Projeto de Extensão UFRJMar).

A Agência UFRJ de Inovação também participou do evento apresentando aos visitantes tecnologias desenvolvidas na Universidade tais quais o luminol e a armadilha para mosquito aedes.

Luminol

luminolUtilizado pela polícia para detectar vestígios de sangue invisíveis a olho nu, o luminol é uma substância extremamente útil nas atividades forenses, em especial em perícias que envolvam a investigação de crimes. Ao entrar em contato com o ferro presente na hemoglobina, seguido de um tratamento com água oxigenada, o luminol desencadeia uma reação denominada quimiluminescência. Trata-se, na prática, de uma reação química que libera energia sob a forma de luz. No caso, uma luz azul suficientemente forte para ser vista no escuro.

Embora já existam vários produtos no mercado conhecidos pelo nome luminol, muitos não são eficientes em investigações nas quais só se possa contar com uma quantidade muito reduzida de sangue. Nestes casos, a luz produzida dificilmente chega a ser detectada pelos investigadores. Outro problema é que, muitas vezes, esses produtos danificam as amostras de sangue, impedindo análises posteriores mais detalhadas. Um terceiro complicador é que, não raramente, os locais a serem periciados não permitem a obtenção do estado de escuridão total necessário para garantir a eficiência de grande parte desses produtos. Basta pensar em hipotéticos crimes ocorridos em estações ferroviárias, estádios de futebol, florestas, parques etc.

Tendo em vista estes desafios, o Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape), vinculado ao Departamento de Química Analítica do Instituto de Química da UFRJ, e coordenado pelo professor Claudio Cerqueira Lopes, desenvolveu um novo tipo de luminol. Mais sensível, e capaz de proporcionar uma luminescência três vezes superior aos produtos tradicionais, o luminol desenvolvido na UFRJ não danifica as amostras sanguíneas, ainda que sejam muito pequenas, permitindo a detecção de sangue oculto em cenas de crime, de sangue queimado em explosões e até mesmo de células presentes em armas de fogo, ainda que os casos não permitam a obtenção de um estado de escuridão total.

Além disso, a substância também tem potencial de uso em outras áreas como, por exemplo, a de saúde e de vigilância sanitária, viabilizando o diagnóstico de limpeza de unidades hospitalares, odontológicas e frigoríficos. O luminol atua como ferramenta de controle nos processos de higienização destes ambientes, atestando a remoção de sangue e a eficiência dos processos de desinfecção. Entre os benefícios que podem ser gerados estão a diminuição dos índices de contaminação hospitalar e dos períodos de permanência de pacientes após cirurgias, além da erradicação da presença do vírus da hepatite C e outros microrganismos patogênicos do ambiente hospitalar.

Armadilha para mosquito aedes

A invenção elaborada pelos professores Ivo Carlos Correa (Departamento de Prótese e Materiais Dentários da Faculdade de Odontologia), Mônica Ferreira Moreira (Laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular de Vetores, do Instituto de Química) e Edimilson Migowski (Departamento de Pediatria, da Faculdade de Medicina) em conjunto com Tiago Salles (doutorando em Bioquímica) se mostra uma tecnologia extremamente promissora. Culminando em um pedido de patente realizado através da Agência UFRJ de Inovação, a invenção se trata de um dispositivo capaz de atrair, capturar e exterminar o mosquito Aedes aegypti, principalmente as fêmeas da espécie.

Conforme explica a professora Mônica Moreira, a armadilha desenvolvida pelos inventores tem como diferencial o fato de ser destinada especificamente ao mosquito Aedes. “Os outros produtos que já existem no mercado, especialmente os que fazem uso de luz ultravioleta ou branca, são voltados para insetos em geral. Acontece que os odores dos outros insetos acabam dificultando a captura do Aedes aegypti. E ao reconhecer estes odores, o Aedes simplesmente evita estes produtos já existentes”, explica. A professora também chama a atenção para outro detalhe importante: “É a fêmea do Aedes que é o vetor das doenças”.

É justamente aí que a engenhosa invenção desenvolvida na UFRJ se destaca. Baseada na emissão de luz LED em comprimentos de ondas específicos entre o azul e o amarelo e com pico na cor verde, a armadilha sensibiliza a retina da fêmea do mosquito para atraí-la e, em seguida, capturá-la através de um sistema de sucção reversa. Finalmente, o inseto é empurrado em direção a uma grade que emite uma descarga elétrica de baixa voltagem, causando a morte do mosquito.

A tecnologia ainda apresenta o benefício de agir também sobre os mosquitos resistentes a inseticidas químicos, além de se enquadrar na concepção de tecnologia limpa, não causando qualquer tipo de poluição ambiental. “Por não empregar inseticida ou qualquer produto químico, a invenção é considerada amigável ao meio ambiente e, por isso, pode ser usada em locais abertos ou fechados, frequentados por adultos, crianças ou recém-nascidos”, comentam os inventores.

Para se ter uma ideia, testes laboratoriais realizados na UFRJ demonstraram que durante um período de 24 horas, enquanto armadilhas para insetos que fazem uso de luz branca são capazes de matar de três a cinco em cada 20 mosquitos, a nova armadilha com luz LED foi capaz de eliminar de 16 a 19. Ou seja, ela mostrou ser praticamente cinco vezes mais eficiente.

O professor Ivo Carlos Correa explica ainda outra vantagem da nova armadilha: “Por conta do seu baixo custo de produção, ela pode ser fabricada em diversos tamanhos. Até mesmo o seu funcionamento através da conexão a um computador via USB seria algo viável”.

Resistência

Segundo Raphael Cavalcante, que trabalha na Agência UFRJ de Inovação, "a produção da SNCT deste ano sofreu muito com os cortes de recursos. Apesar disso, todos os servidores envolvidos se dedicaram ao máximo para manter a qualidade das atividades, mesmo com todas as dificuldades".

"Essa é uma oportunidade excelente para mostrar que a UFRJ não apenas resiste, mas que se supera e não recua frente às adversidades político-econômicas que se apresentam num contexto de tentativa de desmonte das instituições públicas de ensino superior", completou.

 

 

 

 

 

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