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FOTO por Guilherme Flores

 

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fármacos e Medicamentos (INCT-INOFAR), cuja sede é o Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas (LASSBio/ ICB-UFRJ), anunciou, nesta quarta-feira (22 de maio de 2019), uma parceria inédita com a Eurofarma. O acordo prevê acesso da empresa farmacêutica ao acervo de 2 mil moléculas da quimioteca do LASSBio para o desenvolvimento de pesquisas em conjunto que visam à descoberta de medicamentos inovadores. Dor, leishmaniose, inflamação e depressão são os primeiros alvos escolhidos para essa parceria.

Além do intercâmbio científico para a descoberta de novos medicamentos, o termo de cooperação firmado entre o LASSBio e a Eurofarma abrange a capacitação de recursos humanos, absorção e transferência de tecnologia. Projetos científicos nas áreas de síntese orgânica e farmacologia também estão previstos no convênio, que pode contar ainda com a colaboração de pesquisadores de outras instituições integrantes da rede do INCT-INOFAR. A Faculdade de Medicina da USP-Ribeirão, por exemplo, será uma das parcerias para os estudos de farmacologia.

A parceria foi assinada em cerimônia aberta ao público, no Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFRJ), por representantes do INCT-INOFAR, LASSBio e Eurofarma. Estiveram presentes no evento a vice-presidente de Inovação da Eurofarma, Martha Penna, o decano do CCS, professor Luiz Eurico Nasciutti, o diretor do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/UFRJ), professor José Garcia Abreu Junior, entre outros.

 

Da bancada do laboratório à prateleira das farmácias

 

Temos o início de uma parceria única no Brasil, onde toda a cadeia de inovação farmacêutica se beneficiará. Hoje, as universidades têm ideias boas, desenvolvem projetos de pesquisa, formam pessoas qualificadas e criam conhecimento, mas tudo isso resulta em uma renomada publicação científica”, chama a atenção o Professor Eliezer Barreiro, coordenador científico do INCT-INOFAR e do LASSBio.

Segundo Barreiro, neste modelo de parceria público-privada, baseada na “tríplice hélice da inovação" governo-academia-empresa, a indústria farmacêutica poderá desenvolver novos medicamentos, a partir do know-how acadêmico, que beneficiará muitos pacientes. Já as universidades envolvidas receberão recursos, advindos de todo o trabalho desenvolvido, que fomentará ainda mais o conhecimento e novas descobertas.

Pelo fato do LASSBio ser sede do INCT-INOFAR - rede de pesquisa financiada pela FAPERJ, CNPq e Ministério da Saúde, que reúne competências científicas da área de fármacos e medicamentos, presentes em diferentes Universidades e Centros de Pesquisas do País - o acordo poderá envolver novas parcerias da empresa em outros projetos de interesse recíproco, vinculados à rede do INCT-INOFAR ", observa o professor Eliezer.

 

Uma saída para amenizar a crise de investimentos públicos em pesquisa

 

Em meio à crise de investimentos nas universidades federais e corte de bolsas de pesquisa, o acordo de cooperação entre o INCT-INOFAR/LASSBio e a Eurofarma traz uma mensagem de otimismo. A parceria com a empresa possibilitará que pesquisadores identificados pelo INCT-INOFAR recebam bolsas de pós-doutorado e, no futuro, permitirá que a UFRJ receba royalties pelos medicamentos originados, a partir deste convênio.

Outro ponto positivo da parceria, destacada por Barreiro, é que, ao final do período da bolsa, os pesquisadores envolvidos nos projetos terão a possibilidade de serem absorvidos pela empresa, conquistando um posto de trabalho fora da universidade. Desta forma, o conhecimento produzido na Universidade em convênio com a empresa poderá contribuir com a inserção profissional de doutores, no ambiente de pesquisa do setor  farmacêutico nacional.

 “Nosso planejamento estratégico prevê que até 2030, 15% de todas as nossas vendas sejam revertidas para pesquisa & desenvolvimento. Em 2018, investimos R$ 250 milhões na pesquisa de fármacos e medicamentos e outros R$ 155 milhões estão sendo investidos no Centro Eurofarma de Inovação”, afirma Martha Penna, vice-presidente de Inovação da Eurofarma.

 

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Eurofarma irá testar compostos da quimioteca do LASSBio

 

Ao longo de 25 anos de pesquisas, o LASSBio construiu uma vasta quimioteca. Hoje, sua biblioteca de moléculas possui mais de 2 mil compostos, com propriedades bioativas comprovadas, sendo muitos avaliados em organismos vivos (in vivo). A parceria que se inicia irá possibilitar que a empresa teste, em diferentes alvos terapêuticos, as moléculas desta coleção. Em um primeiro momento, o screening molecular será virtual, a partir de modelos 3D, e a empresa selecionará os “hits”, compostos com maior afinidade com o alvo, para a próxima etapa de pesquisa. 

No LASSBio,  através de modelagem computacional, os hits de interesse serão otimizados, para melhorar o “encaixe” com o alvo terapêutico, eleito para tratar determinada doença. Amostras físicas dos compostos selecionados poderão ser sintetizadas nas bancadas do LASSBio e enviadas para testes mais avançados pela Eurofarma.

O coordenador científico do laboratório afirma que o processo de descoberta de fármacos é  longo e delicado. Para o especialista em Química Medicinal, nem todas as moléculas testadas no computador funcionam bem na vida real. Ainda há os estudos clínicos, com seres humanos, que são muito custosos para a academia arcar. Por isso é tão importante a parceria com a empresa farmacêutica. Segundo Eliezer, em nenhum lugar do mundo a universidade conseguiu, sozinha, colocar um medicamento no mercado.

O que estamos celebrando, hoje, com a parceria assinada com a Eurofarma, são ações translacionais em saúde, que permitem que o conhecimento da bancada do laboratório da Universidade chegue até a população”, ressalta. A expectativa do professor Eliezer Barreiro e sua equipe é que o convênio com a Eurofarma, empresa com capital 100% nacional, possa originar o primeiro medicamento brasileiro, fruto de inovação radical: "Um produto farmacêutico inovador, com maior valor agregado que os medicamentos genéricos (inovação incremental), capaz de tratar nossa população e ainda contribuir para melhorar o saldo da balança comercial do Brasil, ao ser exportado para outros países”.

 

 

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