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Os mares são uma das maiores rotas comerciais e turísticas do mundo. Fenícios, cartagineses, chineses, britânicos e diversos outros povos se dedicaram, ao longo dos séculos, no aprimoramento de embarcações em busca de maior eficiência e preservação nos oceanos. Na UFRJ, pesquisadores se empenham na criação de materiais que permitam uma menor aderência de substâncias incrustantes e menor impacto no ambiente marinho.

A bioincrustação marinha é um acúmulo de organismos em estruturas molhadas que estejam nos oceanos. O processo acontece em diversas etapas: inicia-se pela adsorção de moléculas orgânicas a uma superfície imersa, como polissacarídeos e proteínas, seguida da adesão de microrganismos, tais como bactérias, cianobactérias e protozoários.

A última etapa caracteriza-se pela formação do biofilme, que permite o desenvolvimento de macro-organismos, como crustáceos e algas. Esse fenômeno acontece tanto em seres vivos, como tartarugas, em pedras e, também, em cascos de embarcações. A aglomeração desses organismos causa impactos profundos na economia, já que aumenta o peso dos navios e os custos com combustível.

No Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape) do Instituto de Química (IQ), Cláudio Cerqueira e Rosangela Lopes desenvolvem uma solução que pretende diminuir o acúmulo dos organismos nos cascos e, assim, baratear os custos e reduzir o impacto ambiental.

“Nossa linha de pesquisa estuda o aproveitamento dos resíduos da indústria da soja, gerados na produção de óleo comestível, das lecitinas de soja e do biodiesel, relacionada com a glicerina, produto de partida para a produção industrial de epicloridrina”, explica o professor.

A equipe passou, então, a trabalhar em um produto com essas matérias-primas de baixo custo, sintetizando substâncias eficientes no combate à bioincrustação: as 1-hexadecil-glicerofosfocolinas e as lisolecitinas. Cerqueira explica que o composto produzido auxilia na prevenção do acúmulo relacionado com a formação de cracas em embarcações, plataformas de petróleo, dutos de gás e óleo.

Segundo o professor, a larva do mexilhão dourado é a principal espécie invasora presente nas águas de lastro dos navios chineses. Originário do sudeste asiático, o molusco é responsável por uma infestação na América do Sul, a partir de 1991, adentrando pela bacia do Rio da Prata para o resto do país, infestando reservatórios de usinas hidrelétricas e ameaçando a biodiversidade dos rios brasileiros.

Testes realizados no Smithsonium Environmental Research Center (SERC), nos Estados Unidos, mostraram que as lisolecitinas têm a capacidade de inibir o crescimento de espécies invasoras em águas de lastro de embarcações. A partir desses estudos, os dois pesquisadores da Universidade começaram a realizar experimentos com substâncias presentes em animais marinhos que não apresentam o processo de bioincrustação.

“Essas substâncias naturais não contêm em suas estruturas químicas halogênios ou metais pesados, portanto apresentam aspectos favoráveis com relação à ecotoxicologia. Por esse motivo, são  produtos inseridos nos conceitos da química verde”, afirmou Cerqueira.

A equipe está agora na fase de buscar maneiras de realizar testes de avaliação taxonômica e ecotoxicológica do biocida.

Saiba mais sobre a pesquisa no site do Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape). Veja os detalhes da nova tecnologia já protegida pela Agência UFRJ de Inovação aqui.

 

Foto: Artur Moês

 

 

 

 

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