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Materiais sintéticos e microplásticos estão por toda parte. E, sim, em todo o planeta. Há estudos que indicam a existência de fibras sintéticas – fruto da lavagem de roupas – em todos os continentes, inclusive em geleiras polares. Uma poluição invisível num primeiro momento, mas alarmante em seguida.

A cada lavagem, peças de náilon, poliéster e acrílico soltam fibras de até cinco milímetros de espessura, incapazes de serem capturadas pelos filtros das máquinas de lavar. Se quisermos que uma única peça de roupa fique limpa, imagine: pesquisas indicam que mais de 1.900 pedaços de fibra são liberados na água. Há outros estudos que atestam que em cada lavagem em uma máquina de seis quilos, por exemplo, pelo menos 700 mil fibras são despejadas no meio ambiente.

Pensando nesse conglomerado de poluição que parece caminhar oculto, estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) criaram um filtro que captura as minúsculas fibras de plásticos presentes na água liberada pelas máquinas de lavar, algumas delas até menores que a espessura de um fio de cabelo. Essas partículas podem prejudicar a microfauna dos oceanos e são protagonistas na transferência de poluentes do mar para a vida marinha. No processo de lavagem de roupas em máquinas, os resíduos liberados correspondem à metade dos micro-organismos de uma casa. E, hoje, cerca de metade dos microplásticos produzidos em uma residência são provenientes de máquinas lavadoras de roupas.

A invenção dos cientistas frente a este problema global rendeu-lhes a vitória na maratona internacional de inovação Invent for the Planet 2020.

A equipe que representou o Brasil na competição foi formada por Dimitri Costa e Larissa Fonseca, alunos de doutorado em Engenharia Mecânica do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), e Samuel Breves e João Lucas, estudantes de graduação de Engenharia de Produção e de Engenharia Mecânica do Cefet/RJ, respectivamente. O projeto foi orientado pelos professores Marcelo Savi (UFRJ) e Pedro Pacheco (Cefet/RJ).

“O diferencial do nosso filtro é que ele consegue filtrar partículas de cinco milímetros até alguns micrômetros, abrangendo todos os tamanhos de micropartículas de plásticos. Para isso, nós usamos a ferrita. Então, nós vamos ter uma primeira barreira, que é a barreira da própria malha. Ela vai liberar algumas partículas, que vão envolver os microplásticos, para depois serem magneticamente capturados pelos ímãs”, explica Dimitri.

Segundo Marcelo, o mecanismo de filtragem pode ser instalado em saídas de água de uma residência, como no sifão de banheiro, e na saída da máquina de lavar roupa. O filtro é composto por elementos que capturam os minúsculos pedaços de plástico e impedem sua trajetória aos rios e oceanos.

De acordo com Larissa, a equipe segue trabalhando. “Iniciamos o processo de patente para fazer a proteção intelectual dessa invenção e, posteriormente, vamos entrar em contato com empresas”, comenta a pesquisadora, que também ventila a possibilidade de abrir uma startup.

O objetivo do Invent for the Planet é contribuir para a melhoria da qualidade de vida do planeta, a partir de projetos tecnologicamente inovadores. Em 2019, alunos da UFRJ e do Cefet/RJ, com orientação dos mesmos professores, venceram a maratona mundial de inovação com o desenvolvimento do EVI – Echolocation for the visual impaired (ecolocalização para pessoas com deficiência visual).

 

Foto: Artur Moês (Coordcom/UFRJ)

 

 

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