Aditivos biocidas para tintas anti incrustantes

 

A incrustação biológica constitui um dos maiores problemas encontrados pelo homem em suas atividades no mar. Seu aparecimento provoca danos nas estruturas submersas das embarcações e causa prejuízos econômicos uma vez que eleva o seu consumo de combustível. É fácil entender o motivo: a incrustação torna irregular a superfície dos cascos dos navios, o que aumenta o arrasto e, por sua vez, reduz as velocidades que podem ser alcançadas.

Deste modo, a necessidade de proteger das incrustações os cascos dos barcos existe desde que o homem começou a utilizá-los como meio de transporte para percorrer longas distâncias. Periodicamente essas embarcações tinham que ser varadas e tombadas de modo que seus fundos pudessem ser raspados para que fosse então removido este acúmulo de cracas, permitindo assim a manutenção normal de uma velocidade comercial aceitável.

A necessidade de realizar viagens em menos tempo e de otimizar os gastos com combustível fez com que não demorassem a aparecer os primeiros produtos anti-incrustantes navais. Inicialmente fazia-se uso de compostos de substâncias naturais como cera, piche e betume para revestir os cascos de madeira dos navios. Depois o cobre também passou a ser utilizado. Registros históricos indicam que foram os fenícios e os cartagineses os primeiros povos a utilizarem o metal para este propósito.

No século XIX, surgiram as primeiras tintas voltadas especificamente a este fim, baseadas na ideia de dispersão de uma substância tóxica potente em um aglutinante polimérico. Nesta mesma época, o óxido cuproso passou a ser utilizado como biocida em tintas anti-incrustantes. No entanto, as tintas à base de cobre se tornavam ineficientes em pouco tempo, o que gerou uma demanda por biocidas mais efetivos.

Na década de 1960, foi desenvolvida a primeira tinta incorporando um composto organoestânico como biocida. Devido a sua grande eficácia como agente anti-incrustante, o uso dessas tintas aumentou drasticamente nas décadas seguintes. Contudo, no início dos anos 80 começaram a surgir os primeiros indícios de contaminação do ambiente marinho por tais compostos. A partir de então, as preocupações quanto ao uso de produtos contendo este tipo de biocidas levaram alguns países a restringirem sua comercialização, resultando no banimento completo, em escala global, em janeiro de 2008.

Por conta disso, desde então, o desenvolvimento de sistemas anti-incrustantes que causem baixo impacto ambiental tem sido uma meta perseguida por vários grupos de pesquisa.

 

Nova tecnologia desenvolvida pela UFRJ

Com o intuito de desenvolver uma alternativa comercial viável e que cause baixo impacto ecológico, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro desenvolveu a tecnologia “Síntese de 1-O-alquilgliceróis naturais: potenciais aditivos biocidas para serem usados em tintas anti-incrustantes”. Ela já se encontra protegida por um pedido de patente realizado pela Agência UFRJ de Inovação junto ao INPI e atualmente está disponível para licenciamento. Os interessados em obter mais informações devem contactar a Agência. Seguem as informações técnicas sobre a nova tecnologia:

RESUMO: A invenção descreve a síntese de compostos 1-O-alquilgliceróis, potenciais biocidas no combate à bioincrustação marinha, especificamente os álcoois quimílico, batílico e selaquílico. A estratégia sintética pode ser realizada empregando-se reações independentes ou reações sequenciais em um único recipiente, denominadas “reações em um único pote”. A tecnologia utiliza como matéria-prima a epicloridrina, um produto de baixo custo industrial, fator que torna sua reprodução em larga escala mais viável e compromete-se com a reprodutibilidade, redução no número de etapas, e condições que proporcionem práticas tecnológicas de menor impacto ambiental.

DESAFIOS E OBJETIVO: A bioincrustação marinha afeta vários serviços desenvolvidos em alto-mar, pois, diversas superfícies podem servir de substrato para a adesão de organismos aquáticos e assim danificar essas estruturas. Em embarcações, a acumulação de organismos marinhos em sua superfície pode gerar alto consumo de energia/combustível, e consequentemente diminuir a velocidade operacional destes. Uma solução para esta problemática tem sido o uso de tintas anti-incrustantes com aditivos biocidas na prevenção e controle do processo de bioincrustação em cascos de navios, plataformas e estruturas submersas.

SOLUÇÃO: Alguns efeitos benéficos relacionados aos 1-O-alquilgliceróis já estão descritos na literatura, além disso, experimentos desenvolvidos com o objetivo de avaliar as atividades biológicas dos 1-O-alquilgliceróis sugerem que eles podem ser incorporados em fosfolipídios de membranas celulares, causar modificações em suas propriedades físicas, e assim impedir a formação da bioincrustação em sua forma consolidada.

TITULAR DO PEDIDO: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

INVENTORES: Claudio Cerqueira Lopes; Rosangela Sabbatini Capella Lopes; Thiana Santiago Nascimento

NÚMERO DO PEDIDO: BR1020200122100

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