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Tecnologia de Inteligência Artificial e modelagem matemática desenvolvida sob a coordenação do professor Carlos Pedreira, da Coppe/UFRJ, tornou-se referência mundial para o diagnóstico de leucemias e linfomas. A tecnologia se encontra embarcada em um software, batizado como Infinicyt, que já é utilizado em mais de 50 países, em cerca de três mil laboratórios. A técnica propicia diagnósticos mais precisos e menos dependentes de especialistas altamente treinados, além de ampliar o acesso ao uso da tecnologia.

Este projeto é realizado no âmbito do consórcio EuroFlow, constituído por 12 universidades e liderado pelos professores Alberto Orfao, da Universidade de Salamanca (Espanha), e Jacques Van Dongen, da Universiteit Leiden (Holanda). Ambos comandaram os estudos biológicos e os testes em pacientes já realizados em diversos hospitais, em vários países. Na UFRJ, única universidade fora da Europa a fazer parte do consórcio, a área médica é coordenada pela professora Elaine Sobral, do Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira (IPPMG), que contribui com Carlos Pedreira desde o início dos estudos.

Para gerar diagnósticos mais precisos, os modelos matemáticos desenvolvidos na Coppe utilizam técnicas de mineração de dados obtidos por meio dos citômetros de fluxo, um equipamento utilizado para diagnosticar casos de leucemias e linfomas. "Trata-se de uma aplicação de big data na área médica. O citômetro provê algumas dezenas de informações de cada uma das milhões de células de cada paciente colhidas para exame. Antes da concepção desses modelos matemáticos, os diagnósticos por citometria dependiam da análise de profissionais muito especializados. Ao embarcar esses resultados em um software possibilitamos o uso da tecnologia em larga escala mundo a fora", ressaltou Pedreira, professor do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação da Coppe.

O trabalho já rendeu vários artigos e depósitos de patentes. Hoje, o Infinicyt está sendo distribuído por uma empresa espanhola Cytognos e pela multinacional BD (Becton Dickinson).  Todos os royalties provenientes da comercialização do software são revertidos para o avanço das próprias pesquisas.

Tecnologia é aplicada no tratamento de crianças

No Brasil, a tecnologia que começou a ser aplicada no tratamento de crianças no próprio IPPMG, da UFRJ, teve o seu uso estendido para os hospitais da Lagoa, da Criança e dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro; universidades federais da Bahia, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, e Hospital Amaral de Carvalho, em Jaú, São Paulo, entre outros.

Segundo o professor Carlos Pedreira, só no Rio de Janeiro foram concluídos mais de três mil exames em crianças, cujos resultados também dão suporte à formulação de novos modelos matemáticos e aperfeiçoamento contínuo da tecnologia.

De acordo com Carlos Pedreira, não existe no Brasil outro grupo que se dedique à análise de dados de citometria para fins de diagnósticos utilizando modelos matemáticos. O projeto conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), desde 2005. "O apoio da Faperj foi essencial para a compra de um moderno citômetro de fluxo. A aquisição possibilitou que crianças tratadas em hospitais públicos no Rio de Janeiro tenham acesso ao que há de mais avançado no mundo em diagnóstico de leucemias. O uso desse instrumento contribuiu para o aumento, de forma exponencial, da capacidade de gerar dados para diagnóstico e prognóstico de leucemias e linfomas", explicou o professor da Coppe.

A inteligência artificial aplicada neste projeto está sendo utilizada em um novo ramo da pesquisa que visa estender a tecnologia para diagnostico de tumores sólidos pediátricos. Segundo Pedreira, mesmo em fase inicial, mais de 350 casos já foram estudados por citometria, e o grande impacto do trabalho é diminuir o tempo de espera pelo diagnóstico. "Com a aplicação de técnica, resultados de exames que demoravam até 15 dias podem ser obtidos em algumas horas", afirmou.

 

 

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