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No dia 16 de março, o Ministro da Inovação da Irlanda, John Halligan (Minister of State for Training, Skills and Innovation), proferiu uma palestra no auditório do Centro de Pesquisas da Vallourec, no Parque Tecnológico da UFRJ. O evento, cujo tema foi empreendedorismo, inovação e educação, foi promovido pela Agência UFRJ de Inovação e contou com a presença de professores e pesquisadores da Universidade, além de representantes da Unidade Embrapii-Coppe. Ao longo de sua apresentação, o Ministro apresentou as medidas tomadas pelo país para superar a crise e reencontrar o caminho do crescimento econômico e da geração de empregos, além de destacar a necessidade de cooperação entre o Brasil e a Irlanda nas áreas de inovação e pesquisa.

Espirituoso, John Halligan iniciou sua palestra lembrando os presentes de que aquela se tratava da véspera de uma data muito celebrada em seu país, o Saint Patrick’s Day, festa anual comemorada em 17 de março para homenagear a morte do padroeiro da Irlanda. A terra de São Patrício, conforme lembrou o Ministro, foi o berço de cientistas como o físico John Tyndall, responsável por importantes descobertas relativas à radiação infravermelha, e Robert Boyle, considerado um dos pais da Química moderna. John Halligan citou também invenções como a de John Philip Holland, engenheiro que construiu o primeiro submarino a ser oficialmente utilizado pela Marinha dos Estados Unidos e pela Marinha Real Britânica, o HMS Holland 1.

O seu ponto era demonstrar através de exemplos históricos que os irlandeses são pessoas naturalmente criativas. Conforme explicou o Ministro, apesar da Irlanda possuir uma população relativamente pequena (aproximadamente 4,5 milhões de habitantes), estima-se que haja cerca de 70 milhões de descendentes de irlandeses espalhados pelo mundo, muitos dos quais atualmente ocupam posições de destaque em seus respectivos campos de atuação.

Muito disso se deve ao sistema educacional do país, que figura entre os vinte melhores do mundo. Para se ter ideia, todas as universidades irlandesas constam no ranking Top 5% das melhores universidades do mundo*. Segundo o Ministro Halligan, os investimentos do governo irlandês em conhecimento e ensino superior tiveram um crescimento anual médio de 10% na última década. Para efeitos comparativos, as taxas médias da União Europeia e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) são de apenas 3%.

Em termos financeiros, isso significa que o governo investe, por ano, mais de 782 milhões de euros em pesquisa nas instituições de ensino superior na Irlanda atualmente. O impacto deste financiamento faz com que as universidades irlandesas liderem pesquisas em diversas áreas de conhecimento, tais como Imunologia, Veterinária e Pesquisa Animal, Nanociência, Ciências da Computação e Ciências dos Materiais.


ministroirlanda2Educação, inovação e interação universidade-indústria

Outra questão muito explorada por John Halligan ao longo de sua apresentação foi a importância da inovação na recuperação econômica da Irlanda. “A combinação de educação de qualidade e inovação invariavelmente leva à geração de empregos. Mas a inovação não pode ser alcançada sem educação. Por isso, investir em tecnologia, pesquisa e inovação sempre acaba passando necessariamente por investimentos em educação”, explicou.

De acordo com o Ministro, as empresas estão voltando a investir na “economia real”, e, por conta deste movimento, há, por parte das multinacionais, um crescente reconhecimento de todos os esforços que são realizados pelo governo irlandês nas áreas de pesquisa e inovação. Ele lembrou que empresas como Google, Facebook, Pfizer, Apple, Intel, Genzyme e EA Games, por exemplo, que demandam mão de obra altamente qualificada, optaram por instalarem seus escritórios na Irlanda.

Por outro lado, Halligan explicou que não se pode depender exclusivamente deste tipo de empresas para a geração de novos postos de trabalho. “Não se pode confiar apenas às multinacionais a geração de novos empregos. Estudos realizados na Irlanda mostraram que as maiores taxas de desemprego do país eram aquelas relativas a trabalhadores que atuavam habitualmente nas pequenas e médias empresas e que acabaram sendo demitidos durante o período de crise econômica”, explicou.

Diante desta constatação, houve uma mudança nas políticas públicas do país, que passaram a tratar com mais equilíbrio a relação entre o incentivo à instalação de multinacionais e o financiamento público das SMEs (pequenas e médias empresas). Segundo Halligan, a combinação entre o aporte de recursos externos provenientes das multinacionais e o oferecimento de suporte e de financiamento às pesquisas desenvolvidas nas universidades, bem como às pequenas e médias empresas locais, foi a fórmula responsável pelo revigoramento do ecossistema empresarial nacional.

Não à toa, segundo a agência Enterprise Ireland, a Irlanda figura hoje como um dos países mais empreendedores da Europa, abrigando: 9 das 10 principais empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação; 8 das 10 principais empresas desenvolvedoras de games; 15 das 20 principais fabricantes de equipamentos médicos; e 50% das principais empresas de serviços financeiros do mundo.

O Ministro comentou que grande parte destes resultados positivos podem ser atribuídos à proximidade entre as universidades locais e a indústria. Quando questionado, por exemplo, pelo professor Andrew Macrae, do Instituto de Microbiologia da UFRJ, sobre como é feita a avaliação da produção docente na Irlanda, o Ministro comentou que lá não existe uma distinção entre a pontuação atribuída a patentes e a publicações, como a que ocorre no Brasil, o que acaba fomentando a disputa comumente conhecida por aqui como “corrida Lattes”. “Isso simplesmente não faz sentido na Irlanda. Nossa filosofia é outra. Lá as universidades colaboram com as empresas. As empresas, por sua vez pagam as universidades para fazerem uso de seus equipamentos e laboratórios. Existe uma estreita conectividade entre ambas. Muitas vezes isso faz com que os pesquisadores acabem deixando a academia para irem trabalhar na indústria. Sempre existirá essa possibilidade”, descreveu.

Mas isso não preocupa Halligan nem um pouco: “As nossas universidades estão sempre formando novos profissionais preparados para assumirem estes cargos que acabam ficando vagos. Esta dinâmica faz parte de um ecossistema científico saudável. Nós estamos sempre olhando para o próximo nascer do sol e nunca para o passado”.

 

*Fonte: QS, Ranking Mundial de Universidades

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