forumufrjacessivel2016No mês de dezembro, o Fórum Permanente UFRJ Acessível e Inclusiva, recentemente criado, deu início aos trabalhos de mapeamento das pessoas com deficiência (PCDs) na UFRJ. O grande objetivo é construir uma política institucional exclusivamente voltada às PCDs da comunidade UFRJ, garantindo não só o acesso, mas a permanência e inclusão no espaço universitário. 

Segundo Gonçalo Guimarães, professor da Coppe e membro da comissão executiva, o primeiro passo para construir uma política de acessibilidade é necessariamente obter informações sobre as PCDs: quem, quantas e onde estão dentro da Universidade. A intenção é compreender a comunidade de forma ampla e formular uma política que contemple não só alunos, professores e funcionários, mas todos aqueles que, de alguma forma, utilizam, circulam e convivem no espaço da Universidade. 

“Para construir política, a base é a informação”, reforçou Iris Guardatti, coordenadora da Agência UFRJ de Inovação e também membro da comissão executiva, responsável pelo trabalho de mapeamento. 

O desafio de obter as informações é grande, segundo Gonçalo, já que a UFRJ não conta com procedimentos-padrão de registro das PCDs. “Em algum lugar a informação se perde”, impossibilitando o acompanhamento dos casos.  E completou: “Informação de qualidade tem que ser gerada com qualidade”.

Por isso o processo está sendo iniciado do zero. Como ponto de partida, estão sendo utilizadas as informações registradas nas principais portas de entrada da Universidade, como os concursos para alunos, técnicos-administrativos e professores, por exemplo. Além disso, a Reitoria encaminhou formulários para mapeamento das pessoas com deficiência aos decanos e diretores das unidades acadêmicas.

“Nem distribuição, nem encaminhamento levam em conta se é PCD ou não. As condições de recepção e instalação passam a ser desconsideradas.” Dessa forma, Gonçalo explica que a locação do aluno, professor ou funcionário passa a depender de uma “sensibilidade pessoal”: “Não há um procedimento nesse espaço para conduzir as PCDs”.

A dificuldade em tratar as informações referentes aos portadores de deficiência e acompanhar suas trajetórias leva a um problema ainda maior: a exclusão e a eventual redução do número de pessoas com deficiência na Universidade.  “Precisamos ter uma política, não só de entrada, mas de permanência e inclusão substantiva”, alertou a ouvidora-geral da UFRJ, Cristina Riche. “Estou emocionada, vendo se concretizar um anseio e uma necessidade gritante da UFRJ”, comemorou.

Lembrando do fórum como o espaço para discutir, elaborar e dar suporte ao desenvolvimento e implementação da política institucional em acessibilidade, Iris Guardatti reforçou a importância da participação das PCDs: “Esse espaço é de vocês, fundamentalmente. Esse fórum só vai ter sentido a partir da presença de vocês”, disse.

Primeira plenária

A primeira plenária foi realizada no dia 25/11, no salão nobre do Centro de Tecnologia, e reuniu cerca de 70 pessoas, entre docentes, discentes, funcionários e convidados. A comissão executiva, formada por oito integrantes e um presidente, foi constituída a partir da disposição voluntária dos membros, sob o respaldo do reitor da UFRJ, Roberto Leher, já que, até então, ainda não havia plenária estabelecida para a votação.

As próximas comissões serão eleitas pelos membros do fórum em reunião ordinária da plenária convocada para esse fim, com mandato de dois anos, permitida a recondução por igual período. Além do mapeamento das pessoas com deficiência, a comissão executiva apresentou o site do fórum, que está sendo construído e tem o desafio de ser 100% acessível, considerando os diferentes tipos de deficiência e suas respectivas necessidades, como recursos visuais e auditivos, por exemplo.

Na plenária foram indicados, voluntariamente, os nomes que irão compor cada uma das Câmaras Permanentes, criadas para discutir e propor ações em três eixos de atuação. A Câmara I tratará de projetos, obras, questões ambientais e qualidade de vida; a Câmara II será responsável pelos assuntos acadêmicos; a Câmara III, pelas questões envolvendo legislação. Cada câmara é formada por três integrantes. No total, foram indicados 25 nomes, sendo nove representantes e 16 colaboradores (seis para a Câmara I, sete para a  II e três para a III).

Plenária Comemorativa

A segunda plenária ocorreu em 15/12, data que marca os dez anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, no salão nobre da Decania do CT. Em comemoração ao dia, o fórum recebeu como convidados representantes de instituições de luta pelos direitos das PCDs para debater "O papel da Convenção nos avanços e desafios para a Pessoa com Deficiência”. O primeiro objetivo da instância criada este ano é mapear todas as pessoas com deficiência que frequentam o ambiente universitário. Depois, criar políticas que melhorem a acessibilidade e promovam a inclusão.

O grande desafio é barrar o preconceito: "É preciso que haja uma mudança de atitude. Queremos sensibilizar a todos para criar uma cultura de igualdade dentro da universidade", explica Mônica Pereira dos Santos, presidente da comissão executiva do Fórum. Outro problema é a estrutura física da UFRJ. "Os espaços não são democráticos. Quem sofre de alguma deficiência tem grande dificuldade para se locomover aqui". Fazem falta o piso tátil e orientações em braille para guiar pessoas cegas e rampas com inclinação ideal para cadeirantes, por exemplo.


O Fórum já conta com a participação de representantes de diversas unidades da UFRJ, como a Faculdade de Educação, Medicina, Arquitetura e Urbanismo, Núcleo de Computação, Serviço Social, dentre outras.  Ele é aberto a professores, estudantes e a todos os interessados em discutir o tema. "Sempre houve grupos de discussão sobre o tema, mas, com o Fórum Permanente, decidimos nos unificar para fortalecer”, observa Mônica.

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