turbinatatalo2A análise do consumo mundial de energia revela que, no período compreendido entre os anos de 1973 e 2012, o consumo aumentou gradualmente até dobrar. Ainda hoje, a maior parte do abastecimento global de energia depende de fontes não renováveis, tais como o óleo e o carvão. Apesar disso, por conta da disponibilidade limitada deste tipo de fontes, nos últimos anos, houve um crescente interesse na coleta de energia proveniente de recursos renováveis.

O Brasil, por exemplo, é um dos países que já possui uma matriz elétrica de origem predominantemente renovável. Em 2014, a participação de renováveis em nossa matriz energética manteve-se entre as mais elevadas do mundo, ainda que tenha observado uma pequena redução por conta da crise hídrica que então acometeu o país. Atualmente, estima-se que a geração hidráulica responda por aproximadamente 61% da nossa oferta interna de energia, segundo dados da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (Encti) 2016-2019, documento lançado em maio pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (atual MCTIC) em parceria com a comunidade científica e o setor produtivo, que define 11 temas estratégicos em CT&I para o desenvolvimento nacional. Uma destas áreas prioritárias é justamente a de geração de energia.

Segundo consta no documento: “Devido à crescente demanda por energia é fundamental o desenvolvimento de tecnologias orientadas em toda a cadeia de produção e uso, de modo a garantir a segurança energética, dispondo de acesso universalizado, por meio de uma matriz diversificada e levando-se em consideração aspectos relativos à segurança hídrica e alimentar, bem como com a mitigação de emissão de gases do efeito estufa”.

Neste sentido, uma pesquisa desenvolvida por Antonio Carlos Fernandes, professor da COPPE/UFRJ, e por seu pós-doutorando Ali Bakhshandeh Rostami, do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da UFRJ, se mostra uma tecnologia extremamente promissora. Culminando em pedido de patente realizado através da Agência UFRJ de Inovação, a tecnologia se trata de uma turbina hidráulica de pás sinuosas que se aproveita do fenômeno da autorrotação para extrair energia cinética de correntes marítimas, bem como de rios, córregos e lagos. Por serem limpas e renováveis, estas fontes representam atraentes alternativas para reduzir a atual dependência de combustíveis fósseis e usinas nucleares.

Conforme explica o professor Antonio Carlos em seu pedido de patente: “Para viabilizar o aproveitamento de energia a partir de correntes de água das fontes mencionadas, são necessários dispositivos capazes de utilizar a energia cinética de pequenas correntes de elevação de água. Essas tecnologias devem ser projetadas para carga hidráulica de menos de dois metros, sendo muitas vezes referidas como energia hidrelétrica cinética ou turbinas hidrocinéticas”. O professor completa: “Ocorre que as turbinas hidrocinéticas existentes geralmente são projetadas para correntes com velocidade entre 1,5 e 3,5 m/s. Contudo, a velocidade média das correntes oceânicas no mundo é inferior a 1 m/s".

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É justamente em função das tecnologias atuais não serem compatíveis com a velocidade média dessas correntes, que a solução apresentada por Antonio Carlos Fernandes se mostra tão promissora. A velocidade ótima de corrente para operação da turbina da invenção é bastante baixa (na faixa de 0,1 m/s a 0,5 m/s), o que a torna viável para operar nas velocidades tipicamente baixas das correntes oceânicas. Outro diferencial, conforme explica, é que “na nossa proposta não há necessidade de construção de barragens”.

Segundo o professor, os resultados obtidos em testes demonstram uma eficiência até cinco vezes superior aos modelos anteriores quando trabalhando em iguais condições. Conforme explica Giselle Godinho, agente de inovação responsável pelo caso, o próximo passo é buscar a inserção desta promissora tecnologia na cadeia produtiva: "A nova tecnologia está disponível na Agência UFRJ de Inovação para ser licenciada. Queremos transferir o conhecimento científico e tecnológico gerado nos centros de pesquisa e universidades para as empresas, permitindo dessa forma um desenvolvimento tecnológico sustentável e a geração de benefícios para a sociedade".


Interessados em conhecer a tecnologia com mais detalhes podem entrar em contato através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

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