Uma plataforma de soluções que visa à promoção de uma melhoria expressiva nos resultados das incubadoras de diferentes setores de atuação, de modo a ampliar de forma sistemática a capacidade de geração de empreendimentos inovadores bem sucedidos. É este o conceito por trás do Centro de Referência para Apoio a Novos Empreendimentos (Cerne), modelo de gestão desenvolvido pelo SEBRAE e pela ANPROTEC, que tem por objetivo a redução do nível de variabilidade na obtenção de sucesso das empresas apoiadas pelas incubadoras.

Foi justamente levando em questão estes aspectos que foi estabelecida uma parceria envolvendo a Agência UFRJ de Inovação e a Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ concretizada na forma do curso de Planejamento de Vida Profissional, originado no Laboratório de Projetos Profissionais em Ambiência de Inovação da Agência. A ideia é propiciar aos empresários residentes o desenho de um projeto de trajetória profissional, articulando os seus desejos com as demandas da empresa, do setor e do contexto atual, de modo a promover alternativas para a ação dos sujeitos sobre o próprio destino, a partir de visões de futuro compartilhadas.

Segundo Sandra Korman, profissional da Agência que está à frente do projeto: “A conceituação tradicional de carreira não consegue abarcar as novas formas de vinculações profissionais. As trajetórias contemporâneas envolvem processos dinâmicos. E, especialmente em ambientes de empreendedorismo e inovação, as vinculações profissionais envolvem expectativas de desenvolvimento que ultrapassam o somatório de recursos como artefatos de gestão. As trocas significam muitas vezes experiências existenciais com efeitos de longo alcance pela articulação entre individual e social”.

sandrogt2Um dos participantes do curso de Planejamento de Vida Profissional foi Sandro Barros, diretor executivo da GT2 Energia, empresa residente da Incubadora de Empresas, que atua em diversos segmentos do setor energético, incluindo geração e distribuição de energia elétrica, sistemas de apoio para produção de petróleo e gás natural, refino e uso final de combustíveis fósseis e renováveis.

Na conversa a seguir, Sandro conta um pouco mais sobre esta experiência:

1) Como você descreve a GT2 Energia?
A GT2 Energia é uma empresa que atua no desenvolvimento de tecnologias voltadas à geração de energia. Nossa meta é fazer aquilo que ainda não existe no mercado. Inovar sempre.

2) Poderia fazer um rápido histórico do caminho percorrido até o desenvolvimento de uma inovação e criação da GT2 Energia?
Há duas formas, a primeira, e mais interessante, é a ideia que vem do cliente. Ele pensou em algo novo para o seu processo e nos pergunta se podemos desenvolver a ideia. A partir daí, fazemos uma pesquisa rápida para levantar invenções e equipamentos que possam desempenhar o papel proposto pelo cliente. Quando esta solução não é encontrada no mercado, a GT2 Energia, se julgar factível, produz uma proposta de projeto de desenvolvimento ao cliente. Outra maneira é quando a ideia surge dentro da GT2. Neste caso, também partimos para uma pesquisa sobre a existência do que imaginamos. Em caso negativo, produzimos a proposta e identificamos potenciais interessados em bancar o desenvolvimento.

3) Universidades e escolas estão preparadas para estimular o desejo ou as possibilidades para que os sujeitos inovem?
Infelizmente não. A cultura e o conhecimento para a inovação não são abordados formalmente nas etapas de formação do indivíduo. Associado a isto, existe o ensinamento de que o risco é algo muito perigoso e que deve ser mantido o mais longe possível. Não há inovação sem se abraçar o risco, seja alto ou baixo. Para se desenvolver algo que i-nova, há que se produzir aquilo que é-novo, e aquilo que é novo é desconhecido. Notadamente nos Estados Unidos, o risco é parte da vida profissional das pessoas e o fracasso é algo aceitável. Vários dos pioneiros norte-americanos, sejam da área tecnológica ou não, tropeçaram e se levantaram antes do sucesso. A cultura de inovação tem como pilar um sólido ensino das ciências básicas e suas aplicações. Ensinar matemática afirmando que será útil para se fazer supermercado é um erro grave. É necessário que se mostrem as aplicações. Um dos grandes motores da Revolução Industrial foi o encontro de artesãos alfabetizados com os cientistas acadêmicos. Os primeiros foram capazes de materializar as propostas revolucionárias dos acadêmicos, tais como o motor a vapor, o motor de combustão interna e os geradores elétricos. Muitos destes artesãos, bem como muitos acadêmicos, geraram riqueza para si e para a Inglaterra ao registrarem patentes sobre os processos de produção dos seus inventos.

4) O que poderia incrementar esse processo?
A visão da aplicação do conhecimento é fundamental para empreender. A educação voltada para a aplicação, a mão na massa, é fundamental para que isto ocorra. Por exemplo, muitos países já incluem no currículo do ensino fundamental matérias voltadas à programação de computadores. Os avanços da era digital são notórios, mas acessar as redes sociais não gera tanta riqueza quanto inventar as ferramentas de acesso. O mesmo vale para outras áreas de conhecimento. A SpaceX hoje já recupera um veículo lançador, reduzindo absurdamente o custo de se enviar itens ao espaço – satélites e suprimentos para a Estação Espacial Internacional. Ou seja, a inovação não está somente nos bits.

5) Quais os aspectos pessoais e técnicos que, na sua opinião, colaboram para colocar em prática um projeto de inovação?
É importante dizer que a criatividade é fruto da curiosidade e da diversidade. A tal “visão do futuro” não brota simplesmente, ela é uma consolidação de tudo o que lemos, filmes que assistimos e pessoas com quem conversamos. Até os sonhos estão envolvidos neste processo. Se a pessoa não tem contato com um amplo espectro de informações, não dá para ligar os pontos e criar soluções inovadoras que são, em geral, multidisciplinares. É necessário se conhecer um pouco de tudo, não importa a área de especialização. Além disso, vontade de fazer acontecer, (muita) dedicação e resiliência para aguentar os tombos. É muito boa a sensação de ter produzido alguma coisa, desde pintar uma parede na minha casa ou resolver um probleminha de álgebra com minhas filhas, até participar da construção de um robô de inspeção high-tech. No fundo, o prazer é o mesmo.

6) Como avalia o trabalho de Planejamento de Vida Profissional, oferecido pela Agência de Inovação, para os empresários residentes da Incubadora de Empresas da COPPE?
Desde o primeiro encontro fiquei interessado no tema. É um processo de reavaliação dos rumos do empreendedor e da empresa. É isso mesmo que se quer? O rumo está certo? O Planejamento de Vida deveria ser executado já na escolha da carreira, antes de se pensar em entrar na universidade de forma a melhorar o processo decisório a respeito da profissão a ser seguida. Para o empreendedor, o PVP serve como mais um respaldo a sua empreitada, permite corrigir rumos com antecedência.

7) Como foi a primeira experiência de implementação do projeto de Trajetórias Convergentes na seleção de novos colaboradores para a GT2? O propósito de analisar a convergência entre trajetórias privadas e ciclo de vida de uma empresa como um dos fatores de decisão para a contratação foi algo válido?
Foi muito válido. O candidato pode se enxergar melhor como profissional e entender seus desejos frente à carreira que pretende seguir. Para a GT2 Energia, foi uma oportunidade de conhecer melhor o candidato de forma a alinhar as expectativas da empresa e do candidato. Assim, a expectativa é que a GT2 Energia possa contribuir para o crescimento do futuro estagiário, mesmo que seus objetivos de longo prazo sejam outros, numa relação honesta e produtiva durante o período em que estejam juntos.

 

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