modulos"O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?"

O poema se chama “Lira Itabirana”. O autor é Carlos Drummond de Andrade. Em 1984, o poeta já parecia prever o desastre ambiental – e social – que viria a ocorrer 31 anos mais tarde envolvendo o Rio Doce. Pelo menos quatro pessoas mortas, 21 desaparecidas e 631 desabrigadas. Um vilarejo completamente destruído e danos ambientais de uma magnitude ainda incalculável. Todo este prejuízo causado pelo rompimento de duas represas da mineradora Samarco, em Mariana, na região central de Minas Gerais, se soma ao transtorno sentido em outras nove cidades, distantes do local da tragédia.

Na UFRJ, mais especificamente na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), apenas dois anos antes, em 2013, a então aluna Natália da Cunha Cidade defendia um trabalho final de graduação intitulado “Habitação Emergencial”, no qual apresentou um interessante e inovador projeto para abrigos temporários. Impossível não fazer uma associação com os efeitos do crime ambiental ocorrido em Mariana.

Nestes momentos difíceis, as construções habitualmente adaptadas para servirem de abrigo aos que perderam suas casas são os ginásios, igrejas e escolas municipais. Ocorre que, não raramente, os desabrigados enfrentam problemas como superlotação, brigas, violência sexual e falta de privacidade, causando ainda mais desconforto justamente àqueles que já estão passando por árduas provações. Muito disso em função de se tratarem de locais improvisados às pressas para atenderem a estas demandas emergenciais.

O trabalho de Natália Cidade inova justamente quando propõe que os abrigos passem a adotar estruturas modulares que podem ser produzidas a um menor custo através do uso de materiais simples presentes na construção civil, tais quais tubos de PVC e suas devidas conexões estruturais, além de divisórias de nylon resinado para as vedações. Por conta do material utilizado, as estruturas concebidas pela arquiteta, além de fácil estocagem – já que suas peças ficam guardadas como um "kit" – podem ser montadas por mão de obra não-especializada, uma vez que se tratam de simples encaixes. Elas também possuem uma leveza muito maior, o que representa mais facilidade para o seu transporte. Desta forma, o projeto representa uma alternativa à atual situação que vivem as vítimas destes desastres ao repensar os equipamentos que servem de abrigo enquanto estruturas polivalentes que, certamente, podem ter outros tipos de usos em outros momentos.



Atualmente a arquiteta Natália Cidade está em busca de parcerias para que o projeto possa ser desenvolvido em larga escala. Os interessados podem entrar em contato através do email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

 

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