O mês de outubro foi marcado pela realização de vários eventos que contaram com a participação da Agência UFRJ de Inovação. Segundo Iris Guardatti, que atua na área de Inovação Social da Agência, o envolvimento na organização e realização desses eventos é importante na medida em que "contribui para a crescente inclusão na pauta da nossa universidade do debate, do estudo, da pesquisa e da intervenção em torno de questões sociais que desafiam a sociedade contemporânea e na busca por soluções e iniciativas socialmente inovadoras. Esses eventos são articuladores e provocadores de ações práticas para a construção de uma universidade e uma sociedade includente e democrática".
 

Sabores e Saberes

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Nos dias 14 e 15, o CCS sediou a 7ª edição do Sabores e Saberes, evento que promoveu a troca de experiências e de saberes tradicionais e científicos em torno da alimentação nas perspectivas culturais, ambientais, sociais e da saúde. Decorrente de uma parceria envolvendo a Agência UFRJ de Inovação, o Restaurante Universitário e o Instituto de Nutrição Josué de Castro, o evento contou com palestras, oficinas culinárias, apresentações de trabalhos, atividades culturais e uma feira agroecológica.

Na oficina Comida é Patrimônio, por exemplo, discutiu-se a importância do enquadramento da comida enquanto um patrimônio imaterial, concepção que abrange as expressões culturais e as tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito às suas ancestralidades para as gerações futuras. A ideia de elevar a comida ao patamar de patrimônio cultural começou a ser propagada a partir de 1989, com a Recomendação sobre a Salvaguarda da Cultura Tradicional e Popular, durante a 25ª Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). A partir de então, teve início um aprofundamento da reflexão sobre os patrimônios gastronômicos regionais. Conforme foi discutido na oficina, a comida exerce uma considerável influência nas identidades e memórias individuais e, em última análise, na própria constituição das subjetividades pessoais.
 

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

Dos dias 20 a 25 de outubro, o prédio da reitoria da UFRJ sediou a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, evento de âmbito nacional que contou com a participação de diversos órgãos governamentais e instituições de ensino. O tema desta edição foi “Luz, Ciência e Vida”, baseado na decisão da Assembleia Geral da ONU de proclamar 2015 como o Ano Internacional da Luz, destacando a importância da luz e das tecnologias ópticas na vida dos cidadãos, bem como no futuro e no desenvolvimento das sociedades.

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Na UFRJ, o recorte escolhido foi “Big Bang - Luz, Energia e Vida”. A Agência UFRJ de Inovação, por sua vez, participou do evento apresentando o ambiente “Energia para inovar e transformar”, no qual os alunos foram estimulados a se envolverem em atividades direcionadas à inovação. Na ocasião, os jovens puderam participar de jogos e oficinas sobre energia e inovação. Houve também uma exposição que permitiu aos alunos conhecerem algumas invenções brasileiras. Um dos mais animados era o estudante Cauã Nascimento, 11 anos: “Achei muito legal ver a minha própria energia sendo produzida”. O jovem referia-se a uma bicicleta ergométrica adaptada pela Agência para acender uma lâmpada à medida que os estudantes pedalavam. “Descobri muitas coisas novas. Nunca ia imaginar que o chuveiro elétrico e a radiografia tinham sido inventados no Brasil”, disse Cauã. Estas não foram as únicas invenções brasileiras mostradas aos alunos. A lâmpada de garrafa pet, a urna eletrônica, o bina, o painel eletrônico, o motor a álcool e o coração artificial são apenas algumas entre outras invenções nacionais apresentadas.
 

II Fórum de Acessibilidade e Tecnologia Assistiva da UFRJ

Já nos dias 26 e 27 de outubro, o auditório CGTEC no CT2 sediou o II Fórum de Acessibilidade e Tecnologia Assistiva da UFRJ. O evento apresentou pesquisas e projetos referentes à implantação de tecnologias assistivas na educação e no trabalho, além de políticas públicas de acessibilidade.

O início dos dois dias do fórum foram marcados por apresentações culturais. No primeiro dia de evento, o dueto musical composto por Rubens Kuffler (csakan) - que possui distonia focal nos dedos da mão - e Max Ricco (guitarra romântica) apresentou canções do século XIX. Já no segundo dia, Saulo Laucas Pereira - deficiente visual da Escola de Música da UFRJ - presenteou o fórum com uma emocionante apresentação de canto lírico. As apresentações musicais foram provas concretas do importante papel que as políticas inclusivas desempenham para que as deficiências não se tornem um impedimento para o desenvolvimento das artes.

A primeira palestra do fórum ficou por conta do professor José Antônio Borges, do Núcleo de Computação Eletrônica (NCE). Ele iniciou sua apresentação convidando todos a uma reflexão sobre até que ponto a UFRJ é ou não uma universidade excludente. Ao narrar as dificuldades enfrentadas pelos portadores de necessidades especiais, o professor revelou que, muitas vezes, estas pessoas preferem não estudar na UFRJ em função das dificuldades que encontram. Por conta disso, José Borges defendeu a necessidade de entender distintamente as demandas de cada tipo de deficiente. “Deficientes visuais, auditivos, físicos, intelectuais, pessoas com distúrbios de aprendizagem, com deficiências múltiplas, enfim, cada um possui uma demanda específica”, explicou. Segundo ele, é preciso mais sintonia e mais empatia para que “a universidade possa aprender com as pessoas com deficiência para poder exercer o seu papel, que é receber, apoiar e ensinar”.

Neste sentido, José Borges mostrou que importantes avanços têm sido alcançados pelo NCE no que tange à tecnologia assistiva, especialmente na área de desenvolvimento de softwares. Um deles é o DOSVOX, que permite que pessoas cegas utilizem um microcomputador comum para desempenhar uma série de tarefas, adquirindo assim um nível alto de independência no estudo e no trabalho. Outro exemplo é o Prancha Fácil, programa brasileiro gratuito que, através do mouse, da tela touchscreen e de um sistema de varredura, permite a comunicação de pessoas com graves comprometimentos motores e sensoriais.

A próxima a se apresentar foi a advogada acessibilista Deborah Prates, que recentemente lançou o livro “Acessibilidade Atitudinal”, obra em que convida os leitores a “rever a cruenta história que a civilização escreveu acerca das pessoas com deficiência”. De palavras fortes, Deborah fez uma analogia ao trecho da obra “O Corcunda de Notre-Dame” no qual Victor Hugo descreve seu personagem Quasímodo como um “quase alguém” para definir seu sentimento enquanto uma “quase advogada” quando da implantação do processo judicial eletrônico. O que ocorre, segundo Deborah, é que o PJe – termo utilizado para descrever o uso dos sistemas computadorizados (informatização) nos tribunais e demais órgãos públicos nas suas atividades processuais – na prática, negligenciou os advogados portadores de necessidades especiais e os tratou como “invisíveis”.

A terceira apresentação ficou a cargo de Izabel Maior, professora aposentada da faculdade de Medicina da UFRJ e atual Conselheira municipal e estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência no Rio de Janeiro. Segundo dados apresentados de um censo de 2010 do IBGE, 45 milhões de pessoas declararam algum tipo de deficiência em graus variados de limitação funcional. Apesar disso, a quantidade de pessoas com deficiência matriculadas no ensino superior em 2014 era de cerca de 30.000. Se por um lado o número já sinaliza uma evolução em relação a outros períodos (eram 5.078 alunos matriculados em 2003; e 23.250 em 2011), por outro, isto ainda significa um percentual de apenas 0,41% do total de matrículas. Como solução, Izabel defende a migração, em se tratando de acessibilidade, de um “modelo biomédico” para um “modelo social”. No primeiro, o foco incide sobre os impedimentos e limites da pessoa, encarando-se a deficiência como um problema individual a ser tratado através de um esforço pessoal e da família. Já no modelo social, o foco está nas condições de interação entre a sociedade e a pessoa com deficiência. A deficiência passa a ser vista, portanto, como uma questão coletiva que deve estar presente numa agenda pública sintonizada com o paradigma dos Direitos Humanos. Há, conforme explicou Izabel, “a necessidade de mudanças culturais e de políticas universais que contemplem as especificidades deste segmento”.

Em seguida, apresentou-se Nena Gonzalez, diretora do Instituto Novo Ser, instituição sem fins lucrativos que luta pela valorização da cidadania das pessoas com deficiência. Nena falou sobre os projetos realizados pelo instituto com destaque ao “Praia Para Todos”, que dissemina o conceito de acessibilidade nas praias. A edição de 2015, por exemplo, ofereceu atividades como a “Escolinha de Vôlei Sentado” e a de “Surf Adaptado”, além de outras atividades tradicionais de esporte adaptado e lazer.

Outro interessante projeto apresentado no primeiro dia de evento é o sistema Mapas de Acessibilidade, que está sendo construído pelo Instituto ReAbilitArte para orientar e facilitar a mobilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais. Desenvolvida na UFRJ, a iniciativa busca fazer um levantamento interativo e dinâmico das condições de (in)acessibilidade da Universidade, apresentando um mapa que indica quanto cada local do campus é acessível ou não às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Através do aplicativo (disponível tanto na web quanto em dispositivos móveis), todos poderão planejar melhor suas visitas à UFRJ, evitando assim os contratempos e frustrações decorrentes da falta de acessibilidade. O mapa também permitirá identificar os locais que precisam de intervenções urgentes, para que estas possam ser planejadas adequadamente, de acordo com as necessidades reais das pessoas com deficiências. A ideia é que, após validado pelas comunidades de usuários, o Mapa de Acessibilidade seja progressivamente expandido aos demais campi da UFRJ, à cidade do Rio de Janeiro e a outras localidades para que cada um, independentemente da sua funcionalidade, possa participar mais intensamente da vida educacional, cultural e social, bem como aproveitar lazeres e esportes. O endereço do site é http://acessibilidade.nce.ufrj.br.

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O segundo dia do fórum foi marcado pela palestra de Martinha Clarete Dutra, diretora de Políticas de Educação Especial do SECADI-MEC. Em sua apresentação, Martinha explicou que, no que tange à questão da acessibilidade, as políticas públicas nacionais devem atuar em três eixos: o investimento em infra-estrutura arquitetônica baseado num desenho universal inclusivo; disponibilização de recursos tecnológicos; e formação docente. Em sua fala, Martinha também explicou que é necessário conceber a deficiência enquanto um fenômeno socialmente constituído: "O conceito de deficiência é cultural. Desvincular uma pessoa de uma posição estigmatizante como a de ‘deficiente’ depende daquilo que está ao seu redor. É disso que se trata a acessibilidade, ou seja, permitir que cada pessoa atue conforme suas especificidades. Em vez de tutela e de caridade, nossa luta deve ser por reconhecimento e autonomia".

A professora Denise Nascimento, vice-reitora da UFRJ, também esteve presente no evento. Segundo ela, o fórum foi "uma excelente oportunidade para se pensar novas maneiras de ampliar a inclusão não apenas dos alunos, mas da UFRJ como um todo. Ações deste tipo significam um salto de qualidade rumo a uma universidade mais plural e mais inclusiva".

O II Fórum de Acessibilidade e Tecnologia Assistiva da UFRJ foi organizado pela Agência UFRJ de Inovação em parceria com o Instituto Tércio Pacciti de Aplicações e Pesquisas Computacionais, o Instituto ReAbilitArte, o Laboratório Trabalho & Formação da COPPE e a Superintendência Geral de Políticas Estudantis, com apoio da Pró-reitoria de Planejamento de Finanças e patrocínio da Siemens.

 

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