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A aluna de doutorado da Coppe/UFRJ Linda Gabriele Gesenhues recebeu, no dia 15 de novembro, o prêmio ACM-IEEE CS George Michael Memorial HPC Fellowships, concedido pela Association for Computing Machinery (ACM), maior entidade científica e educacional de computação do mundo. O prêmio, no valor de cinco mil dólares, foi entregue durante a Conferência Internacional para Computação de Alto Desempenho, Redes, Armazenamento e Análise (Supercomputing 2018), em Dallas, EUA.

Primeira aluna de instituição sediada fora do eixo Estados Unidos e Europa a ganhar essa premiação, Linda vem trabalhando na simulação de correntes de turbidez, que causam mudanças na topografia oceânica. O trabalho é fruto da pesquisa que a aluna vem desenvolvendo para sua tese de doutorado, intitulada “Métodos avançados para simulação por elementos finitos de fluidos não newtonianos”, sob a orientação dos professores da Coppe Fernando Rochinha, do Programa de Engenharia Mecânica, e Alvaro Coutinho, do Programa de Engenharia Civil.

O estudo faz parte de um projeto em andamento na Coppe, que tem como objetivo desenvolver uma ferramenta computacional preditiva, capaz de simular como se formaram alguns campos de petróleo, há milhões de anos, a partir da ação das correntes de turbidez. Os resultados podem auxiliar geólogos e geofísicos a entenderem melhor o processo de formação desses reservatórios, possibilitando a identificação de outras regiões, que por terem passado por processos similares, podem abrigar reservas de petróleo. Em resumo, reconstituir o passado para identificar pistas que possam sinalizar futuras reservas.

Por meio de modelos matemáticos, Linda simula fenômenos que ocorrem no fundo do mar, como correntes de turbidez. Trata-se de um escoamento de alta densidade que transporta sedimentos e modifica a topografia oceânica. “Ele resulta em um fluído viscoso, similar a uma massa de panqueca, cujo comportamento varia de acordo com a pressão exercida na corrente. Sua taxa de deformação é modificada por meio de mudanças na velocidade desse escoamento turbulento”, explica a aluna da Coppe.

A ferramenta também pode contribuir para minimizar riscos econômicos e ambientais da extração de petróleo, assim como prever o comportamento de avalanches e erupções vulcânicas no fundo do mar. Linda Gesenhues acrescenta ainda que esta pode ser utilizada para prever impactos ambientais envolvendo o rompimento de barragens com resíduos de minérios, como o ocorrido na cidade de Mariana, em 2015. “Outra possibilidade de aplicação seria no auxílio da escolha de regiões para o armazenamento de água limpa”, antecipou Linda.

Financiada pela Petrobras, que já investiu mais de 10 milhões de reais, a pesquisa teve seu contrato renovado recentemente com a empresa por mais quatro anos. Também fez parte do HPC4E (High Performance Computing for Energy), projeto que reuniu entre fevereiro de 2016 e janeiro de 2018, instituições de pesquisa do Brasil e da União Europeia, com o objetivo de gerar conhecimento e tecnologias voltadas para o setor de energia.

Sobre a aluna premiada

Linda Gabriele Gesenhues tem 28 anos e nasceu na cidade de Heppenheim, na Alemanha. Formou-se em Engenharia Mecânica pela RWTH Aachen University, sediada na cidade de Aachen, Alemanha. Durante a graduação, fez intercâmbio nos Estados Unidos, onde estudou um ano na University of Wisconsin-Madison, na cidade de Madison, onde foi assistente de pesquisa em um projeto sobre modelos numéricos para a mistura de nano-partículas e fluídos não newtonianos.

Na mesma instituição que recebeu o diploma de engenheira, concluiu o mestrado em Engenharia de Polímeros e Têxtil, com ênfase em simulação numérica de danos sofridos pelas hemácias em bombas artificiais de sangue.

Em 2015, ingressou no doutorado do Programa de Engenharia Mecânica da Coppe, do qual fala com orgulho: “O curso é excelente. Superou minhas expectativas. Eu tenho muita sorte de poder trabalhar com dois grandes orientadores”, ressaltou a engenheira, que estima defender sua tese no início de 2020.

Linda se diz realizada. “Estou muito feliz por ter optado em fazer o doutorado na Coppe e morar no Brasil. Gosto muito do Rio de Janeiro. Eu vim de um país pequeno. Está sendo muito interessante viver em um país grande, com tanta diversidade cultural”, confessou entusiasmada a aluna que resolveu retribuir à cidade tornando-se professora voluntária no curso Pré-Vestibular Comunitário Vetor, no Colégio São Vicente de Paulo, no Cosme Velho. Todas às quartas-feiras a aluna da Coppe troca as modelagens e os supercomputadores pelo quadro e o giz para ensinar matemática a estudantes de baixa renda que se preparam para as provas do vestibular. “Ensino, mas também aprendo muito com eles”, acrescentou a engenheira, em bom português.

 

 

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