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A pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernanda Ferreira Cruz, foi uma das vencedoras do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, realizado pela L’Oréal Brasil, empresa residente do Parque Tecnológico da UFRJ, em parceria com a UNESCO BRASIL e com a Academia Brasileira de Ciências. O programa tem como motivação a transformação do panorama da ciência no País, favorecendo o equilíbrio dos gêneros no cenário brasileiro e incentivando a entrada de jovens mulheres no universo científico.

Docente recém-concursada da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fernanda Ferreira Cruz já tinha uma longa história com a instituição. Moradora de Ramos, bairro próximo ao campus da Ilha do Fundão, Fernanda se formou em Medicina pela UFRJ – curso que, para ela, unia a pesquisa em laboratório com a aplicação prática nas clínicas. A cientista entrou em contato com o tema que mais tarde a daria o prêmio L’Oréal-UNESCO-ABC Para Mulheres na Ciência logo no início do curso, quando começou a iniciação científica no Laboratório de Investigação Pulmonar (LIP) do Instituto de Biofísica Carlos Chaga Filho (IBCCF/UFRJ).

Por meio da terapia celular, que consiste na administração de células, ela e seu grupo trabalham no desenvolvimento de alternativas inovadoras para o tratamento de doenças respiratórias. Em estudos anteriores, obtiveram resultados positivos ao extrair células-tronco adultas da medula óssea de pacientes e reintroduzi-las em sua corrente sanguínea. As células-tronco foram capazes de neutralizar a ação dos leucócitos, células sanguíneas de defesa que se encontram inflamadas nesses pacientes.

Foi também no LIP que a cientista conheceu uma de suas maiores inspirações: a pesquisadora Patricia Rocco, chefe do laboratório e agora sua colega de trabalho. “Patricia é mulher, é mãe, é médica, é pesquisadora, é professora, é a pessoa que abriu as portas do mundo científico para mim. Disse que eu conseguiria e foi quem mais me motivou”, conta.

“Fiquei em êxtase, não sabia o que falar. Foi uma sensação de muita felicidade”, conta Fernanda sobre o momento em que recebeu a ligação do presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, para contar sobre o prêmio. “Estou começando agora, acabei de passar no concurso; ter uma verba para custear materiais e equipamentos para o meu laboratório é incrível, não é todo mundo que consegue”, comemora.

No LIP, Fernanda se especializou na área medicina regenerativa, que usa terapias com células-tronco – que podem se diferenciar em outros tipos de células – para reparar e regenerar tecidos e órgãos. As pesquisas se tornam ainda mais importantes no contexto de envelhecimento da população, em que doenças degenerativas – como a asma grave e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) – têm se tornado mais comuns.

Embora esse tipo de tratamento tenha mostrado bons resultados quando aplicado às doenças respiratórias estudadas, o processo para extração das células-tronco ainda é incômodo. Elas precisam ser retiradas da medula óssea, tecido gelatinoso que preenche a parte interna dos ossos. Por isso, Fernanda e seu grupo se dedicam a encontrar terapias que utilizem fontes menos invasivas. Uma descoberta foi a possibilidade do uso de monócitos em vez das células-tronco. Células adultas, os monócitos mostraram bons resultados quando aplicados em tratamentos para a asma e podem ser obtidos mais facilmente: além de serem encontradas na medula óssea, também estão presentes no sangue. A ideia é tirar essas células do sangue dos pacientes, tratá-las para mimetizar as condições em que se encontram na medula, e injetá-las de volta nos pacientes. Este é o próximo passo da pesquisa.

 

(FONTE: Para Mulheres na Ciência)

 

 

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