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Nos dias 29 e 30 de agosto, foi realizada na UFRJ a décima edição do Encontro Sabores e Saberes. Fruto de uma parceria que envolve a Agência UFRJ de Inovação e o Instituto de Nutrição Josué de Castro, desde 2009 o encontro integra o calendário de eventos da Universidade. A edição deste ano teve como tema central “Alimentação e Meio Ambiente em Foco”.

A mesa de abertura do evento contou com Ricardo Pereira, coordenador da Agência UFRJ de Inovação e com a profª. Avany Fernandes Pereira, diretora do Instituto de Nutrição. Ambos ressaltaram que recentemente o curso de Nutrição da UFRJ foi avaliado com nota 6 pela Capes, logrando o êxito de ficar entre os três melhores do Brasil.

Também estava presente o decano do CCS, prof. Luiz Eurico Nasciutti, que reforçou que em 2018 se comemora os 110 anos do nascimento do patrono do Instituto de Nutrição da UFRJ, professor Josué de Castro, que teve um papel muito importante não só na sua criação, mas no estudo da alimentação e da fome no Brasil. A mesa também contou com a profª Rogéria Moreira, da Pró-reitoria de Extensão, e com um representante do Capim Limão, projeto de extensão universitária relacionado às temáticas da Educação e Agroecologia.

Em seguida foi exibido o documentário Histórias da Fome no Brasil, com roteiro e direção de Camilo Galli Tavares – mesmo diretor de O Dia Que Durou 21 Anos. O filme apresenta uma cronologia da fome no país, perpassando períodos históricos desde o Brasil Colônia até a atualidade.

A ideia do documentário surgiu em 2014, quando a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) anunciou que o Brasil havia deixado de compor o Mapa da Fome mundial. Integram esta relação aqueles países que contam com mais de 5% da população ingerindo menos calorias que o recomendável. Em 2014, ao registrar uma porcentagem de 3%, pela primeira vez, o país deixou de estar nesta lista vexatória.

Os motivos foram uma série de políticas públicas macroeconômicas adotadas a partir de 2003, como a geração de empregos, a formalização do trabalho e a correção do salário mínimo acima da inflação (que irradia seus efeitos para o fortalecimento de economias locais), aliadas a programas importantes como a instalação de cisternas no semiárido e a aquisição de alimentos da agricultura familiar por parte do governo para o abastecimento de escolas públicas, por exemplo.

No entanto, um relatório elaborado por cerca de 20 entidades da sociedade civil no ano passado trouxe o alerta de que o Brasil, infelizmente, periga voltar a figurar no Mapa da Fome num futuro próximo. Um dos especialistas responsáveis pela elaboração do relatório é o economista e pesquisador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) Francisco Menezes, que integrou a mesa de debates que se iniciou logo após a exibição do documentário.

Segundo ele, este risco se deve a uma combinação de fatores que se colocaram de 2015 a 2017, como alta do desemprego, o avanço da pobreza, o corte de beneficiários do Bolsa Família e principalmente o congelamento dos gastos públicos por até 20 anos, frutos da Emenda Constitucional 95.

A mesa também contou com a participação do principal idealizador do filme, Daniel de Souza, que atua como presidente da ONG Ação da Cidadania, organização criada em 1993 com o objetivo de formar uma rede de mobilização nacional para ajudar 32 milhões de brasileiros que, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), estavam abaixo da linha da pobreza naquela época. Daniel, por sinal, é filho de um importante personagem no combate à fome no Brasil, o sociólogo e ativista dos Direitos Humanos Herbert José de Souza (Betinho).

Ele contextualizou o documentário com a própria obra de Josué de Castro, que atribuía este mal a motivos sociais específicos tais qual a falta de vontade política, por exemplo. Aliás, a tônica do produtivo debate que se seguiu foi justamente a desmistificação da naturalização da fome, que não pode e não deve ser concebida como fruto da vontade divina ou de forças da natureza.

“É a sociedade que cria a fome, e o filme mostra isso", concluiu.

O evento também contou com oficinas temáticas que tratavam sobre PANCs (plantas alimentícias não convencionais) e sobre as cozinhas regionais brasileiras, rodas de conversa, com exposições de trabalhos científicos e pôsteres, além da já tradicional Feira Agroecológica da UFRJ.

 

 

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