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Osíris era o mais popular de todos os deuses do Egito Antigo. Ser bondoso que sofre uma morte cruel e que por ela assegura a vida e a felicidade eterna a todos os seus protegidos, Osíris encarna a terra egípcia e a sua vegetação, destruída pelo sol e a seca, mas sempre ressurgida pelas águas do Nilo. Seu mito aborda a temática da ressurreição, regeneração e transição. Não à toa este foi o nome escolhido para batizar a primeira equipe de Biologia Sintética da UFRJ.

A Biologia Sintética é uma área emergente que busca a construção de novas vias biológicas artificiais, organismos ou dispositivos, ou o redesenho de sistemas biológicos naturais existentes. O interesse pelo tema e o amplo leque de aplicações possíveis motivou estudantes de diferentes áreas (Biotecnologia, Nanotecnologia, Biofísica, Microbiologia) a fundarem, com a mentoria da professora Mônica Montero Lomeli, do IBqM (Instituto de Bioquímica Médica – UFRJ), a Osiris.

Atualmente, através de uma parceria com o HUB de Inovação na UFRJ, a equipe Osiris está promovendo uma série de workshops intitulada “Máquinas Biológicas”, voltada aos interessados em adquirir mais conhecimentos sobre o ramo da Biologia Sintética. As oficinas ocorrem entre o final de março e o início de abril e têm um custo simbólico de R$ 30. As inscrições podem ser feitas através deste link. Os recursos serão utilizados para custear a participação da Osiris no iGEM (International Genetically Engineered Machine), competição internacional de engenharia de sistemas biológicos.

A competição foi criada em 2003 pelo MIT e, anualmente, promove o encontro de equipes de universidades de todo o mundo, que apresentam seus projetos de Biologia Sintética. O objetivo das equipes é a criação de dispositivos biológicos inovadores que permitam a solução de problemas humanos relevantes, seja na área da saúde, de biocombustíveis, preservação ambiental, produção de alimentos, manufaturas e outros. Inicialmente, a competição era exclusivamente para alunos de graduação, mas hoje conta também com divisões especiais para alunos do ensino médio, empreendedores e programadores de software.

O universitário João Gabriel da Cruz e Silva, aluno da UFRJ que cursa o 4º período de Biotecnologia e integra a equipe Osiris, em entrevista, fala com mais detalhes sobre vários aspectos que envolvem esta iniciativa pioneira:

 

1) Poderia dar exemplos práticos do impacto social que o desenvolvimento da Biologia Sintética pode proporcionar?

A biologia sintética atua diretamente na produção de ferramentas que otimizam ou proporcionam melhorias às tarefas humanas. Assim, há uma grande variedade de campos em que ela pode ser empregada. Um deles, por exemplo, é a produção de insulina por microrganismos transgênicos. Existem também projetos mais ambiciosos, como a geração de animais transgênicos que produzam proteínas para o tratamento de hemofílicos. Outra possibilidade são os processos biotecnológicos que se utilizam de organismos modificados por técnicas de biologia sintética, sendo inseridos em meios de produção industriais para otimização do processo. Um desses processos é o utilizado pela Braskem para produção de alguns de seus polímeros, produzidos via rotas biotecnológicas. Além disso, há também o caso da GranBio, empresa de Biotecnologia e Biologia Sintética que desenvolveu uma rota biológica para produção de etanol a partir de folhagens secas residuais dos canaviais, aumentando assim o leque de fontes possíveis para produção deste combustível. Os dois últimos casos têm grande impacto social, pois transformam o processo produtivo de indústrias em processos mais sustentáveis, com menor poluição e descarte de resíduos, além de viabilizarem uma maior rentabilidade, fruto de um melhor aproveitamento de todos os substratos.

 

2) Existe um debate ético acerca dos usos da Biologia Sintética, principalmente no tocante a possíveis alterações no equilíbrio ambiental. Como vocês enxergam isso?

A equipe procura focar seus projetos em dois vieses importantes: a utilização da Biologia Sintética e todas suas ferramentas a fim de interagir de forma sustentável com a sociedade; e assegurar a divulgação do conhecimento científico a todas as camadas sociais. Uma maior discussão sobre o tema, guiado pelas ferramentas científicas, proporcionaria a desmistificação sobre alguns medos relacionados à Biologia Sintética e levaria a um aproveitamento muito mais direto e democrático da Biologia Sintética na sociedade.  Há uma grande discussão na comunidade de Biologia Sintética sobre a ética a ser empregada para que eventos como o desequilíbrio ambiental não ocorram. Normalmente, graças a essa discussão, em todos os projetos que envolvem o tema, há mecanismos de controle para evitar tais eventos.

 

3) Especificamente sobre a Osiris, pode explicar como e quando surgiu esta iniciativa?

No final do mês de novembro de 2017, houve uma reunião no HUB com o embaixador do iGEM na qual se discutiu acerca da a importância da criação da primeira equipe de Biologia Sintética da UFRJ para disputar um torneio internacional do iGEM. Lucas Santos (8º período de Nanotecnologia, UFRJ), que hoje integra a Osiris, participou da reunião e decidiu unir uma equipe constituída por alunos que já se interessava pelo tema. Ele e outros dois integrantes já haviam realizado tentativas sem sucesso de criar uma equipe de Biologia Sintética, mas após o evento realizado pelo HUB, esta nova equipe foi finalmente formada.

 

4) Além da disciplina oferecida pela professora Mônica Lomeli, existem outras focadas em Biologia Sintética aqui na UFRJ?

Muitas disciplinas utilizam dos conceitos de Biologia Sintética indiretamente, entretanto não há iniciativas que evidenciem o tema diretamente.

 

5) Pode comentar um pouco mais sobre o dispositivo que estão desenvolvendo para o diagnóstico de doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti?

O objetivo da equipe era fazer uso da Biologia Sintética com o intuito de atingir diretamente pontos fracos da sociedade. Doenças transmitidas por Aedes Aegypti são comuns no Brasil e podem ter picos alarmantes em certos períodos do ano, superlotando hospitais e, consequentemente, dificultando o atendimento correto aos pacientes. Um diagnóstico preciso e rápido poderia ser utilizado a fim de reduzir o tempo de espera do resultado de exames e diminuir a concentração em prontos atendimentos. Assim, nosso dispositivo estará focado em diagnosticar as doenças de dengue, zika e chikungunya para um melhor atendimento em hospitais e centros médicos.

 

6) Que benefícios a participação no iGEM poderia trazer à Osiris e à própria UFRJ?

Através do iGEM buscamos interação com o MIT, um grande polo de pesquisa tecnológica, e com o desenvolvimento científico de outros países, bem como a internacionalização da equipe e da própria UFRJ.


7) O que os interessados podem esperar das oficinas que serão realizadas no HUB? Poderia passar mais detalhes sobre esta parceria?

O HUB está conosco desde o começo e tem nos ajudado muito, viabilizando desde contatos para parcerias até o espaço para realização das oficinas, que serão realizadas em cinco dias de atividades. As oficinas ocorrem entre o final de março e o início de abril. As inscrições podem ser feitas através deste link. Mais detalhes: https://www.facebook.com/osirisigemufrj

 

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